Por onde eu começo uma mixagem?

Como eu começo uma mixagem? Abaixo você encontra algumas dicas!

Quando estamos iniciando na produção musical, montando um Homestudio, etc... Uma das grandes dúvidas é como começar uma mixagem. Por qual instrumento começo? Trabalho em "solo" ou não? Várias dúvidas aparecem. Vamos ver uns pontos sobre este assunto!

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Primeiro a abordagem mais comum e "vista por ai".

Essa abordagem envolve iniciar sua mixagem pelo groove - geralmente bateria.
"Abre-se" apenas o canal do kick(bumbo) e escolhe-se um nível(volume) para ele.
Lembrando de deixar o kick em um "nível saudável"!
Como ele será sua referência para colocar os outros elementos, se começar com um nível(volume) muito alto para o kick, quando somar os outros elementos certamente seu master buss irá clipar.

Um nível digamos "saudável", seria começar com seu bumbo entre -10 e -15db (isso não é uma regra, é digamos... apenas uma abordagem saudável), depende da música e do papel do kick nela, mas o kick geralmente tem um peak(pico) alto, apesar de não representar exatamente o que estamos ouvindo pois nós ouvimos o "RMS" e não "peaks" muito rápidos.

Vemos bem essa questão em estrutura de ganho no curso de Produção musical.

Depois de "levantar" o kick, você levanta os volumes(faders) das outras faixas da bateria, uma a uma, até a seção rítmica soar legal para você, tomando o kick como referência.
E começa então a processar!

Colocar equalizadores, compressores, etc... O que achar necessário, no kick, snare(caixa), hi-hat(chimbal), tons, overs, rooms, enfim, os elementos que tiver.
Esta é a maneira mais comum de iniciar uma mixagem.

É uma boa forma para músicas em que o groove é o foco principal. Em que você quer ouvir a música trazendo o groove a "tona". Como na música eletrônica e alguns exemplos de black music.
Também pode parecer mais fácil começar a mixagem usando essa abordagem, porque você começa com apenas um instrumento.

Mas principalmente para quem está começando na produção musical, essa abordagem pode trazer desvantagens. Quais??

É fácil ignorar o contexto da música e pegar uma direção errada, já que você não está ouvindo todo o arranjo da música.
Você pode gastar muito tempo trabalhando na bateria para descobrir mais tarde que você precisa mudar completamente a maneira como ela está soando por causa dos outros elementos da música e o contexto da própria música.

Para não cometer esse "mixenicídio", essa abordagem requer mais experiência.
A outra desvantagem dessa abordagem é que você pode acabar com um som de bateria "maior que a vida" e deixar pouco espaço sobrando para qualquer outra coisa no palco sonoro da sua mixagem. Pois está ouvindo apenas a bateria.

Outra abordagem é começar pelo "lead" da música, geralmente o vocal!

Você "levanta" a faixa principal sozinha, adiciona compressão, equalização, de-esser e efeitos, o que achar necessário para a voz soar bem.
Então você "constrói", ou levanta, os outros elementos da sua música em torno dele.

A vantagem dessa abordagem é que o "lead", neste caso o vocal, acaba soando "maior que a vida".
Isso funciona bem para músicas onde a "liderança" é o foco - como folk por exemplo. Mas...

Novamente, pode ser difícil fazer decisões assertivas sobre o vocal sem ouvir os outros elementos da sua mixagem.
Novamente você pode acabar tomando decisões equivocadas, das quais você normalmente terá que revisitar e alterar. Trabalho dobrado.

Outra abordagem, e o motivo dessa postagem, é começar com uma "rough mix"! Digamos uma "mixagem crua"!

Onde estamos querendo chegar? Queremos que escute a música, o contexto, antes de colocar plug-ins e sair "girando e apertando botões"!

Como falamos acima, é fácil se perder do contexto real da música mixando.
Começar sua mixagem com uma rough mix e abordagens top-down desde o início te ajudará a se manter no contexto e na perspectiva real da música!
Porque você está ouvindo todas as faixas e como elas se relacionam. Isso pode ajudar você a "ter melhores decisões de mixagem".

Nessa abordagem, começamos com uma mixagem aproximada, regulamos os volumes de todas as faixas antes de adicionar qualquer plug-in.
É claro que a música não soará perfeita, faltarão automações, compressões, etc... Mas você tem uma perspectiva melhor do que cada elemento precisa ouvindo o todo.

Então mixe apenas com volumes até achar que ficou o mais próximo do que deseja, sem nenhum plug-in.
E então você começa a adicionar processamento.
Outra abordagem dentro dessa é a top-down da parte rítmica.
Depois de ter acertado os volumes gerais. Crie os grupos da bateria e comece a mixagem pelo grupo principal da bateria, e não pelo kick por exemplo.
Experimente equalizar, comprimir, enfim, melhorar o som da bateria como um todo pelo grupo primeiro, e depois rooms, overheads, para depois pensar nos "close mics"(kick, snare, hihat e tons por exemplo).

Teste e veja como pode além de poupar trabalho, poupar processamento com a utilização de menos plug-ins.

Quais as desvantagens dessa abordagem?

No início pode ser mais difícil identificar problemas quando todas as faixas estão tocando juntas. Você pode ouvir a "coisa mais confusa" por exemplo.
Você nem sempre tem certeza de onde está vindo o problema.
Esta abordagem pode ser difícil para os novos produtores, que podem preferir lidar com um número menor de faixas de uma só vez.

Mas não tenha dúvidas em tentar, e aos poucos ir desenvolvendo seu ouvido. O que é indispensável para quem quer ser um produtor musical, ou mesmo para quem quer apenas produzir suas próprias músicas.

Desenvolver sua audição é mais importante que um bacharelado em música ou produção. Produção musical é essencialmente saber ouvir!

Mixar ouvindo a música, o todo, é fundamental! Você pode utilizar as primeiras abordagens que falamos? Sim, mas como eu disse, exigirá mais experiência.
Precisa saber mixagem e masterização? Então desenvolva sua audição. Faça um teste começando sua mixagem com a terceira opção!

Abraço e boas produções!


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